O Instituto Butantan inicia nesta segunda-feira (22), no Hospital das
Clínicas, em São Paulo, a última fase de testes da vacina contra a
dengue. A vacina, desenvolvida no Brasil, tem potencial para proteger
contra os quatro vírus da dengue. Os resultados nas fases de teste
anteriores já superaram as expectativas quanto à eficácia e segurança,
se mostrando superior a outras vacinas já disponíveis ou em
desenvolvimento. A experiência na criação desta vacina pode encurtar o
desenvolvimento de uma para combater o vírus zika.
“Com a nossa experiência na vacina contra a dengue, teremos um avanço
muito grande , poderemos mais rapidamente trabalharmos numa vacina
contra a zika. Nós temos vários tipos de abordagem para a vacina de
zika, que já iniciamos aqui, e também estamos trabalhando num soro para
neutralizarmos o vírus antes de ele causar o dano na cabeça das
crianças”, afirma o diretor do Instituto Butantan, professor doutor
Jorge Kalil.
Por ser produzida com vírus vivos, geneticamente atenuados, a
resposta imunológica tende a ser mais forte, mas sem potencial para
provocar a doença. Ele destacou ainda a relevância de recursos
disponibilizados pelos governos federal e estadual para pesquisa e
desenvolvimento da vacina."Nós não só vamos resolver um problema
brasileiro, mas um problema mundial porque tanto dengue como zika são
reais ameaças à população mundial”, avalia.
Atende critérios ideais
A terceira e última fase de experimentação da vacina em humanos tem
como objetivo comprovar definitivamente a eficácia do imunizante para
combater a aquisição da dengue. O coordenador dos estudos no Hospital
das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Ésper Kallas, ressalta
que a vacina brasileira atende os requisitos ideais.
“Qualquer vacina que preencha os critérios de ser uma vacina eficaz,
que funcione muito bem, de forma duradoura, de preferência com dose
única, que possa ser transportada pelo País inteiro, armazenada com
facilidade, que seja de domínio dos brasileiros, é ideal. Acho que a
vacina que testamos aqui chega muito próxima desses objetivos”.
Além da eficácia, o fato de a vacina ser em dose única (protege dos
quatro tipos de vírus da dengue) é uma de suas grande vantagens. É
possível ser aplicadas em todas as idades, inclusive em crianças. “Se a
gente der uma dose só, é muito mais fácil proteger as pessoas do que,
por exemplo, se tivesse ter que dar 3 doses separadas, porque a gente
sabe que algumas dessas pessoas acabam não voltando para fazer a
vacinação”, diz Kallas.
Fonte: Portal Brasil

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